segunda-feira, 29 de setembro de 2014

há tempos em que eu não sei contar os dias
os minutos viram horas, as semanas viram meses
os próprios meses parecem abandonados de si e do outro
o tempo exila-se para o interior, um lugar qualquer que eu persisto em descobrir
logo ele, o tempo, que insiste tanto em passar
forçando uma casa, morada onde ele apresenta-se estranho, inesperado

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

ansiedade
ansiolítico
paleolítico
paralelepípedo
para-brisas-para-raios-para-tudo
era um vidro quebrado
de ponta rosa
nos meus dedos
cor de lua

declarado o início
daquele começo
coração sente
cabeça mente
e os meus dedos não mais
em cor de rosa
vermelhos
por isso te espero
no hábito fora de costume
improvável, intempestivo
ao som de rodovias
em tempestades
o meu tom maior
múltiplo e sempre
em piso, fluídos
meus sonhos são
outros

domingo, 21 de setembro de 2014

ele sorriu

como recusar o profano
na beleza que ele desdobra?
aceitar a beleza da vida
complicar o lado podre
não para mantê-lo em si, esculpido e disfarçado
do que lhe é bruto

do belo, nada se cria. é preciso o estranho
para o puro vir a ser.

sábado, 20 de setembro de 2014

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

conversa interior
mantida no infinito
abertura

transição
sem norte, como ousaria algum
qualquer um

entretida por fiapos
novidades de lã
que me aquecem

e me enrolam

onde está você?