quinta-feira, 19 de novembro de 2015

uma passagem

depois de conversar com as raízes que cresciam no muro:

o eu
o outro
e o alheio

quarta-feira, 15 de julho de 2015

sábado, 27 de junho de 2015

terça-feira, 16 de junho de 2015

na casa agora onde moro, existe um liquidificador. não foi comprado, nem foi dado de presente. ele simplesmente está lá, funcionando. não é novo, mas me atende. revolta, revira, remexe, liquidifica tudo tudo. uma maravilha.

domingo, 31 de maio de 2015

um olhar para me contrastar
como uma tela onde tudo fosse claro e colorido
um mundo para viajar
além do óbvio necessário para me alimentar
a dor que se coloca também me deixa belo
sem medo de sorrir, sem medo de pedir
aceito o caminho que me leva para o desconhecido
sonhando um dia com muralhas que se dobrem para mim

quinta-feira, 14 de maio de 2015

meu voo de águia,
sou uma ave de rapina
a carne morta é meu prato
sobrevivente do último passo
antes do deserto

alguns achando o bárbaro o espetáculo
prefeririam os delicados morrer

ser narrado das lendas
mito, não minto



quinta-feira, 7 de maio de 2015

quietude
não do Tempo
de Fora
Pai

inquieto
comilança
Autofágico
Eu

Meu irmão
Ele grita
Há um Outro
em Mim

sexta-feira, 27 de março de 2015

quarta-feira, 18 de março de 2015

o mundo como ele é
impõe o choque como relação
câmara de pelúcia rosa
acolchoada

e molhada
o mundo como ele é
me impõe o imperativo
ou seria a luxúria?
de chocar-me com a pelúcia
a astúcia e o colchão

desacreditando na realidade
sem sem guarda-roupas, sem guarda-chuvas
e sem guarda-costas

terça-feira, 17 de março de 2015

O mundo com o que ele é

Com certeza, você se sente tentado a desfiar-se nos confrontos e a abrir estradas para resolver os atalhos de outras picadas, isto não é inadequado. Como a responsabilidade de qualquer modo será sua, não se surpreenda. Aprenda. Depois desaprenda. Impossível que este trânsito não estimule o seu idealismo, o que de modo algum será mau, já que pode produzir um belo momento em sua vida. Mas pode também dar-lhe a vontade de realçar metas antes esquecidas, o que é muito insubordinado, haja vista sua própria preocupação em deixar as coisas passarem. Use o o bom senso, bastante, até esgotá-lo. Desperdice-o. Acima de tudo, encare o mundo mesmo em relação aos seus ideais, com o que ele é e não como gostaria que ele não fosse. Você pode transformá-lo no que deseja, mas não parta do princípio de que ele já é como você queria. Porque não é.
O mundo como ele é

Talvez se sinta tentado a evitar os confrontos e a procurar atalhos para resolver as questões que surgirem, pensando que tudo é inadequado. Como a responsabilidade de qualquer modo será sua, não se surpreenda se tais táticas acabarem funcionando contra você. É possível que este trânsito estimule seu idealismo, o que de modo algum será mau, já que pode produzir um belo momento em sua vida hoje. Mas pode também dar-lhe a vontade de alcançar metas inatingíveis, o que é muito esmorecedor, haja vista sua pouca disponibilidade de energias durante este trânsito. Use o bom senso mesmo em relação aos ideais e, acima de tudo, encare o mundo real como ele é e não como gostaria que fosse. Você pode transformá-lo no que deseja, mas não parta do princípio de que ele já é como você queria.

Trânsito selecionado para hoje: 
Sol quadratura Neptuno, , exato às 08:46  
Período ativo do 16 de março 2015 ao 18 de março 2015

domingo, 15 de março de 2015

queria ter sabido disso antes
de que os sentimentos mais comuns
são também aqueles que me tornam
cada dia único

vou me sentindo mais completo
à medida que reconheço ali
onde nunca busquei vida
um reflexo

fiz-me inteiro novamente
dos fragmentos coletados fiz um espelho
torto, fractal, crepuscular
nele espalho o vão que existe
no corredor

quinta-feira, 12 de março de 2015

impossível resistir ao movimento interior
ele exige resistência aliás para imprimir melhor a sua força
deixar marcado, contaminado, impresso o melhor e o pior
do meu desejo


eu sou irresistível

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

improvável diante do que ele espera
aceito a palavra que me ofende
me conjugo, tornando-me metade do que
ele diz, mas a metade falsa do que ele me diz
feita pra mim, inteiro por ser carente
perdoo-me pela minha autossuficiência 
e nego justamente aquilo que nunca serei

sorte é poder viver no mundo com ilusões
pagas, baratas e às expensas

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

em certos momentos parece que sofrer de amor é o máximo,
o auge, o cume
verdadeira experiência de luxo em um mundo de miseráveis

sábado, 21 de fevereiro de 2015

o desejo de entender os semelhantes conduz a desafio imposto de entender a mim mesmo
o que era estranho ali, passa a ser estranho aqui
quem era horrível de lá, ganha reflexo de cá
a beleza deixa de ser exclusiva
o perverso me implica em seu traço
desconheço o que era feito lá
reconheço onde tudo existe
aqui

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

"mas aí nada teria acontecido", foi o que ele disse para a menina ao meu lado. pensei se tratar entretanto de algo mais pessoal, dirigido a mim, no que parecia me assustava porque poderia me expor mais do que geralmente eu gostaria ou estou diariamente preparado a parecer. mas não havia sinceridade nem maldade na frase dele, era tudo mais ou menos como que uma reflexão fortuita que se encaixava no momento em que ela, ele e eu estávamos juntos mas não de mãos dadas. juntos e desconhecidos. afetuosos mas também intolerantes. a frase dele era algo que selava nossa efêmera união, o fraco e intenso - diria, o autêntico e o espontâneo - laço a nos atar. a frase dele era algo que desinventava a promessa de que a noite seria espetacular, colocando o inusitado justamente no interior das nossas gargantas. ele não falava sozinho, verdade; todos nós, a tríade que se formara feito mágica, como três que se angulam por se destoarem, conversávamos sobre o que era dito e não-dito, o silêncio também nos deixava em par. a fala permitia o grito e diante disso tudo era dito e repetido novamente, "nada teria acontecido" "nada teria acontecido", será que era o destino? eu não sei, talvez nem eles mesmos acreditassem que o destino é tão generoso assim; generosos são os gestos, o destino é maior e, por ser maior, impõe os seus paradoxos, é regado por contradições.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

eu não faria nada diferente
dizer isto parece impor às coisas
um destino que desilude porque é potente
a ilusão assim como a vida é flexível e exigente