domingo, 11 de dezembro de 2016

essa dor
essa flor
essa perda
essa merda
o seu cheiro
o seu cu
o seu olho
o seu caralho

o pensamento não censura
ele trai

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

anoiteceu um dia claro
de lua cheia e sol a pino
ele dormia ao meu lado
sem notar a diferença entre
o meu suspiro e o estar acordado

me chamou pelo nome
deu sentido para um fim
rebelde, investi no oposto

dei a cara ao beijo
dei o peito ao soco
dei o mundo ao nada

ganhei o pão
ganhei a tônica
ganhei a coca-cola
sem nem saber a sua fórmula

o amor tem desses mistérios

sábado, 1 de outubro de 2016

desconhecido sentado no banco de pedra
em frente às ondas, de costas para o nada
feliz por de repente ter sido notado
fora da sua redoma de filhinho de mamãe
operário porém corajoso
bebia bebia bebia
fez com que tudo o que parecia apenas uma noite
de passos miúdos e agitados
se tornasse um momento de absoluta estranheza
afinal deixar o filho que ele não teve aos meus cuidados
era permitir que o desamor fosse somente uma ilusão
para nós dois, todo fim estabelecia um descanso

terça-feira, 6 de setembro de 2016

every river is different
even the water
even the drop
even the sky above
you and me

domingo, 14 de agosto de 2016

domingo, o peito abre
inflando ar na garganta seca
desce gostoso o beijo
a mão e a caminhada até o amanhã

domingo, 24 de julho de 2016

essa vontade louca de colocar o mundo todo
no interior de uma taça e beber
os dias sagrados tornaram-se noites ficcionais
em que a lembrança e o esquecimento se camuflavam
de Eu, também, ilusório, mas nem por isso desleal

deserdados pouco engenhosas
alegrias despreocupadas
endenizar o corpo, o suor

os dias sagrados foram tocados
um a um
pelo vapor comprimido do órgão
da capela protestante


terça-feira, 14 de junho de 2016

abracei o atropelo que me cruzou
e me colocou diante de ti
meu erro era um acerto de contas
para a engenhosa matemática dos vinte e quatro
sem fórmulas, sem algébra, sem cálculos
linguagem do corpo
erótica
o padrão dos trinta e quatro recupera o patrão
o doutor jagunço que protege mas não perdoa
desafia o meu corpo, sem linguagem, sob ordens
torna doente o contrário
endireita o oposto
assassina o dançarino

tentei me vincular às estrelas numa noite dessas
à sabedoria que elas guardam milenar
tudo já viram antes de mim, mais alto
confessa aqui pra mim, me diz onde é que tudo dói

quinta-feira, 12 de maio de 2016

não, o peso nunca é do corpo
nunca, não, nunca é do mundo
ou do que se esconde por trás da terra
embaixo dela
detrás de mim
o peso nunca é algo que se vê
ou se sabe o que ele é, ou onde está
o peso é aquele que diverge
que se mostra em absoluta transparência e filigranas
de sorte e azar, amor e cansaço
o peso nunca é um espelho
nunca se vê


domingo, 20 de março de 2016

desfilando o peso dessas contas cifradas em amores expressos
vou ao supermercado alimentar o fígado
para pouco entender, uma palavra inteira não basta
foi preciso dizer, dizer mais, dizer de novo, e repetir
por insistência
por afeto
para o meu bem

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

numa curva, fiz-me cansado
tornei-me exausto do que estava por vir
mas o futuro, ainda guardo
sonhos, amores, paixões
reluzente como quem sabe que muito pouco brilho
ainda brilha ali

domingo, 31 de janeiro de 2016

o futuro é divertido. ele já é, diversão.
divergente diligente indecente.
divertido

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016