terça-feira, 6 de setembro de 2016

every river is different
even the water
even the drop
even the sky above
you and me

domingo, 14 de agosto de 2016

domingo, o peito abre
inflando ar na garganta seca
desce gostoso o beijo
a mão e a caminhada até o amanhã

domingo, 24 de julho de 2016

essa vontade louca de colocar o mundo todo
no interior de uma taça e beber
os dias sagrados tornaram-se noites ficcionais
em que a lembrança e o esquecimento se camuflavam
de Eu, também, ilusório, mas nem por isso desleal

deserdados pouco engenhosas
alegrias despreocupadas
endenizar o corpo, o suor

os dias sagrados foram tocados
um a um
pelo vapor comprimido do órgão
da capela protestante


terça-feira, 14 de junho de 2016

abracei o atropelo que me cruzou
e me colocou diante de ti
meu erro era um acerto de contas
para a engenhosa matemática dos vinte e quatro
sem fórmulas, sem algébra, sem cálculos
linguagem do corpo
erótica
o padrão dos trinta e quatro recupera o patrão
o doutor jagunço que protege mas não perdoa
desafia o meu corpo, sem linguagem, sob ordens
torna doente o contrário
endireita o oposto
assassina o dançarino

tentei me vincular às estrelas numa noite dessas
à sabedoria que elas guardam milenar
tudo já viram antes de mim, mais alto
confessa aqui pra mim, me diz onde é que tudo dói

quinta-feira, 12 de maio de 2016

não, o peso nunca é do corpo
nunca, não, nunca é do mundo
ou do que se esconde por trás da terra
embaixo dela
detrás de mim
o peso nunca é algo que se vê
ou se sabe o que ele é, ou onde está
o peso é aquele que diverge
que se mostra em absoluta transparência e filigranas
de sorte e azar, amor e cansaço
o peso nunca é um espelho
nunca se vê