sábado, 1 de outubro de 2016

desconhecido sentado no banco de pedra
em frente às ondas, de costas para o nada
feliz por de repente ter sido notado
fora da sua redoma de filhinho de mamãe
operário porém corajoso
bebia bebia bebia
fez com que tudo o que parecia apenas uma noite
de passos miúdos e agitados
se tornasse um momento de absoluta estranheza
afinal deixar o filho que ele não teve aos meus cuidados
era permitir que o desamor fosse somente uma ilusão
para nós dois, todo fim estabelecia um descanso

terça-feira, 6 de setembro de 2016

every river is different
even the water
even the drop
even the sky above
you and me

domingo, 14 de agosto de 2016

domingo, o peito abre
inflando ar na garganta seca
desce gostoso o beijo
a mão e a caminhada até o amanhã

domingo, 24 de julho de 2016

essa vontade louca de colocar o mundo todo
no interior de uma taça e beber
os dias sagrados tornaram-se noites ficcionais
em que a lembrança e o esquecimento se camuflavam
de Eu, também, ilusório, mas nem por isso desleal

deserdados pouco engenhosas
alegrias despreocupadas
endenizar o corpo, o suor

os dias sagrados foram tocados
um a um
pelo vapor comprimido do órgão
da capela protestante


terça-feira, 14 de junho de 2016

abracei o atropelo que me cruzou
e me colocou diante de ti
meu erro era um acerto de contas
para a engenhosa matemática dos vinte e quatro
sem fórmulas, sem algébra, sem cálculos
linguagem do corpo
erótica
o padrão dos trinta e quatro recupera o patrão
o doutor jagunço que protege mas não perdoa
desafia o meu corpo, sem linguagem, sob ordens
torna doente o contrário
endireita o oposto
assassina o dançarino

tentei me vincular às estrelas numa noite dessas
à sabedoria que elas guardam milenar
tudo já viram antes de mim, mais alto
confessa aqui pra mim, me diz onde é que tudo dói