quarta-feira, 13 de agosto de 2014

a mente fecha o que antes havia
aberto no peito
o amor muda-se no que é feito
interdito
o que já era transforma o que é-vir
novamente
e este benefício da dúvida é o que nos
une por direito
o que importa saber quando o que era
era apenas bravo?

o que importa saber quando todo o
o outro foi perdido em si mesmo?

terça-feira, 5 de agosto de 2014

recebo no presente
a mensagem que enviei há
10 anos atrás, ou ja passam dos 11 anos?
não sei, isso importa? não muito.
recebo o presente pensando que ele
veio do que era antes, de quem por um
curto período de ar, foi um amor.
minhas mãos seguravam o amor
do presente que me
chegou por mãos trêmulas e verdadeiras,
não me importa o quanto elas mentem,
não é que não me importe com a verdade das mãos, eu
até aprecio um papo franco, honesto,
mas nesses dias, qualquer traço de honestidade é uma
verdadeira afronta contra a verdade, então
eu não me importo com a inverdade, em respeito
ao que é surreal em todo o sentimento possível, o que estou a dizer? sei lá.
falava do presente que veio de mãos em mãos,
sem causa, sem lastro, um presente,
no presente,
de amor.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

somos
muito
fisicamente
muitos
inconscientes
nota mental:

desconstruir um tabu não é simplesmente revelar a sua verdade mas também conversar com o mistério que ele encerra.

vagaroso movimento de ir e
voltar
voltar voltar voltar voltar voltar
lançamento desesperado no já
conhecido do desconhecido
na transparência do opaco
sentimento de ser e estar em
várias pessoas, não estar em lugar nenhum
nem aí
nem aqui

ele me disse a fórmula das rochas
disse saber como as pérolas são feitas
disse também que não era preciso ter medo
o escuro também nos acolhe em seu temor

conversamos sobre o que havia no céu
além das estrelas, havia planos
sólidos mundos de carne e osso e coração
afetos plantados na poeira de saturno

escutei atento, curioso e indeciso sobre o
que ele me dizia
na verdade
sobre o que ele me diz e continua a dizer
o erro dos físicos é o de adorar os seus objetos
mais do que as suas leis
soberbas
efeitos da fantasia
inconsciente

quinta-feira, 24 de julho de 2014

percorri a estrada que leva
ao oeste fardo
duro de suportar

eu, que sou do interior
abri caminho no pasto largo
de trilhas longas e apertadas

no caminho da pressa
havia uma lesma
carnuda e gosmenta

compreendo as lesmas
mas matei essa aí
naquela passagem era ela ou eu

o mundo tem dessas
coragens bestiais